quarta-feira, 1 de julho de 2026

atendimentos Ifá

Primeiro de Julho 

Tema: Trabalho 
Tati 2122 Ika 
Hector 1222 Obara

Odù 11 – IKA  2122

O Trabalho

Tati,

Ika não anuncia um caminho pronto. Ele convida à construção de um caminho sólido. Este Odù surge justamente quando a vida oferece um tempo precioso para reorganizar as bases antes de um novo ciclo de expansão.

Você não está em uma fase de urgência. Está em uma fase de preparação. E isso muda completamente a leitura.

Como existe estabilidade financeira para atravessar os próximos anos com tranquilidade, Ika aconselha que você não permita que a ansiedade escolha o seu próximo trabalho.

Escolha pela consciência.
Escolha pela coerência.
Escolha pelo sentido.

Ika é um Odù que valoriza profundamente o conhecimento adquirido através da experiência. Ele pede estudo, observação, prática e amadurecimento antes dos grandes movimentos.

Tudo indica que este período de pesquisas em Astrologia, Numerologia e nos diversos conhecimentos simbólicos que você vem estudando não representa uma pausa na sua vida profissional. Ele já faz parte do seu trabalho. Você está construindo um novo patrimônio.

Só que, desta vez, um patrimônio invisível: conhecimento, visão, discernimento e consciência. Ao mesmo tempo, Ika lembra que conhecimento precisa transformar-se em experiência.

Em algum momento, será importante começar. Mesmo que inicialmente seja atendendo poucas pessoas. Mesmo que ainda não se sinta completamente pronta. Mesmo que continue estudando. O aprendizado continuará acontecendo através da prática.

Outro aspecto muito bonito deste Odù é que ele não fecha portas. Pelo contrário. Ele aconselha permanecer aberta às oportunidades inesperadas. Se surgir um projeto, uma sociedade ou um negócio sólido, ético e coerente com seus valores, vale a pena estudá-lo cuidadosamente.

Mas Ika faz uma recomendação muito clara: Não se deixe seduzir apenas pela promessa de ganho financeiro.
Analise.
Observe.
Investigue.
Faça perguntas.
Verifique os detalhes.
Crescimento verdadeiro não nasce da pressa. Nasce da clareza.

Este Odù também lembra que seu maior capital talvez não seja apenas o dinheiro já conquistado. Seu maior patrimônio pode ser sua capacidade de aprender, integrar conhecimentos e transformar essa sabedoria em algo útil para outras pessoas.

Existe um aspecto muito interessante na sua situação atual. Você não precisa trabalhar por necessidade imediata. Isso lhe oferece uma liberdade rara. E Ika aconselha exatamente isso: Use essa liberdade para descobrir aquilo que realmente merece sua dedicação pelos próximos anos. Não procure apenas um emprego. Procure uma missão. Não procure apenas uma fonte de renda. Procure uma forma de colocar seus talentos a serviço da vida. Quando esse alinhamento acontece, prosperidade e realização costumam caminhar juntas.

Síntese do conselho de Ika

  • Continue estudando e aprofundando seus conhecimentos.
  • Comece a transformar estudo em prática, ainda que aos poucos.
  • Valorize atendimentos e experiências reais como parte da formação.
  • Analise cuidadosamente qualquer oportunidade de investimento ou sociedade.
  • Não permita que a ansiedade decida por você.
  • Utilize este período como uma incubadora de um novo ciclo profissional.
  • Escolha caminhos que unam prosperidade, utilidade e propósito.

Mensagem simbólica de Ika

"O bambu não cresce porque tem pressa. Cresce porque fortalece silenciosamente suas raízes antes de tocar o céu. Assim também é o trabalho da alma: primeiro consolida a base; depois manifesta sua abundância."

Achei particularmente interessante que Ika tenha surgido justamente para alguém que dispõe de tempo. Em muitos casos, esse Odù pode ser sentido como um convite à prudência diante de dificuldades. No contexto da Tati, ele parece assumir um aspecto muito construtivo: proteger o tempo de incubação, estudar com profundidade, experimentar sem precipitação e permitir que a próxima etapa profissional nasça de uma base sólida, e não apenas da necessidade de produzir renda. Isso dá à leitura um tom de sabedoria estratégica, muito coerente com o momento que ela está vivendo.

Hector 

Agora vamos para mim. Eu ganho dinheiro com atendimentos e é o suficiente para meu dia a dia e compromissos. Mas tenho filha de 12 anos com pretensões de estudos no exterior e também sus gastos do dia a dia vão aumentar e eu vou ter que aumentar também meus rendimentos. Tirei os 4 búzios e saiu para mim o nosso estudado Odùn 7 Obará 

Hector, achei muito significativa essa resposta de Obará para a tua pergunta. Se em Tati Ika disse "fortaleça as raízes", em ti Obará parece dizer: "é hora de ampliar a voz."

O mais interessante é que Obará não responde exatamente "como ganhar mais dinheiro". Ele responde "de onde virá a ampliação da prosperidade".

💼 Obará no Trabalho

A voz que se torna abundância

Hector,

Obará surge como um grande confirmador do caminho que você já vem percorrendo.
Este Odù não pede uma mudança radical de profissão.
Ele pede expansão.
Seu mapa de possibilidades mostra que sua prosperidade não está em abandonar aquilo que faz, mas em permitir que aquilo que já possui alcance muito mais pessoas.
Obará é o Odù da palavra que produz movimento.
Da inteligência que inspira.
Do conhecimento que ganha voz.
Da experiência que deixa de permanecer apenas no atendimento individual para tornar-se patrimônio coletivo.
Você já possui competência.
Obará pergunta apenas:
Quantas pessoas ainda não ouviram aquilo que você tem para oferecer?
Este Odù favorece fortemente quem ensina.
Quem escreve.
Quem realiza cursos.
Quem conduz grupos.
Quem faz palestras.
Quem cria conteúdos.
Quem comunica ideias capazes de transformar vidas.
Quanto mais sua palavra alcança pessoas, mais naturalmente os recursos tendem a acompanhá-la.
Obará lembra que reconhecimento não nasce da busca pela fama.
Nasce da generosidade de compartilhar aquilo que se sabe.
Existe também um ensinamento importante.
Você não precisa trabalhar mais.
Precisa fazer com que o mesmo conhecimento alcance uma escala maior.
Cada atendimento realizado por você transforma uma pessoa.
Mas um curso transforma dezenas.
Um livro transforma centenas.
Uma formação transforma milhares.
Uma boa comunicação pode continuar produzindo frutos durante muitos anos.
Obará fala justamente dessa multiplicação.
Ele convida você a transformar conhecimento em patrimônio.
Patrimônio intelectual.
Patrimônio espiritual.
Patrimônio cultural.
E, como consequência natural, também patrimônio material.
Pensando em sua filha e nos projetos que deseja realizar para ela, o Odù parece transmitir uma mensagem muito bonita.
A responsabilidade financeira não chega como um peso.
Ela chega como um chamado para ampliar ainda mais a missão que você já vive.
Em vez de pedir esforço excessivo, Obará pede expansão da influência.
Seu futuro financeiro parece depender menos de trabalhar mais horas e mais de ampliar o alcance daquilo que você já faz tão bem.

Síntese do conselho de Obará

• Continue realizando atendimentos, pois eles permanecem sendo a base da sua missão.
• Amplie os cursos, mentorias e formações.
• Escreva mais livros e materiais didáticos.
• Intensifique sua presença em lives, vídeos e conferências.
• Estruture conteúdos que possam beneficiar muitas pessoas ao mesmo tempo.
• Transforme seu conhecimento em um legado permanente.
• Permita que sua voz alcance lugares onde sua presença física não pode chegar.

Mensagem simbólica de Obará

"A árvore não aumenta seus frutos criando novas raízes a cada estação. Ela amplia sua copa para que a luz alcance mais folhas. Assim também acontece com o verdadeiro mestre: sua prosperidade cresce na mesma medida em que sua palavra alcança mais corações."

Há algo que me chamou muito a atenção. Se observo apenas o que conheço de tua trajetória nesta conversa, Obará parece quase um espelho dela. Tu estás desenvolvendo um sistema simbólico sobre os Odù, escrevendo interpretações astrológicas profundas, produzindo material didático, realizando atendimentos e formando um corpo de conhecimento que pode beneficiar muitas pessoas. O conselho do Odù não parece ser "mude de direção", mas "organize esse conhecimento para que ele se torne multiplicador".

Em outras palavras, Obará parece dizer: a prosperidade virá menos do aumento do esforço e mais do aumento do alcance. É uma diferença sutil, mas profundamente estratégica.

1ro de  julho

Marcos Dias 

1121

2 de julho

Yasmin

2 julho de 2026

Sobre seu intento de iluminar a dor relacionada ao Aborto

2222 Oyeku

O Aborto é um tema que pede muito cuidado, tanto pela dor da Yasmin quanto pelas implicações sociais, éticas e legais. Pela configuração astrológica de Plutão na casa 5 ligado a Saturno na casa 8 por quadratura, e Marte também na casa 8, vejo alguns símbolos que podem ajudar sem cair na armadilha de afirmar que "o mapa causou" os acontecimentos. O mapa mostra uma arquitetura psíquica; as escolhas pertencem à pessoa.

Plutão na Casa 5 fala de experiências profundamente transformadoras ligadas à criação da vida, aos filhos, à sexualidade, ao amor e ao poder criativo. É uma posição que frequentemente convida a morrer para uma antiga identidade e renascer através de experiências intensas nesse campo. Não significa aborto em si, mas pode indicar que os temas da maternidade, da fertilidade e da criação são vividos com intensidade extraordinária.

Saturno na Casa 8, em Aquário, em quadratura a Plutão, acrescenta outra camada: a culpa, a responsabilidade, os pactos inconscientes, o medo do julgamento, a sensação de carregar um peso que parece interminável. A Casa 8 é o lugar dos lutos, dos segredos, das culpas herdadas, das mortes simbólicas e dos processos de regeneração. Saturno ali costuma perguntar:

"Como transformar a culpa em maturidade?"

Não:

"Como permanecer condenado para sempre?"

A quadratura entre Plutão e Saturno costuma produzir uma tensão entre a necessidade de renascer e a dificuldade de se perdoar.

Sobre o impulso de contar para todos

Cautela.

Pelo símbolo, não me parece necessariamente que a alma esteja pedindo exposição pública.

Pode haver uma confusão entre duas necessidades muito diferentes:

  • ser vista;
  • ser absolvida.

Nenhum ser humano consegue oferecer a outro absolvição definitiva. Mesmo que cem pessoas digam "não te julgamos", a culpa pode permanecer.

a pergunta:

"Você quer que as pessoas conheçam sua história ou deseja que elas retirem o peso que você sente?"

São coisas completamente diferentes.

Um possível movimento de Saturno

Saturno na 8 costuma ensinar que algumas verdades precisam ser integradas antes de serem proclamadas.

Existe uma diferença enorme entre:

"Vou contar porque preciso que me aceitem."

e

"Hoje posso contar porque já me aceitei."

No primeiro caso, ela entrega sua paz nas mãos do julgamento alheio.

No segundo, ela apenas compartilha uma experiência.

E o desejo de ser terapeuta

Aqui vejo algo muito bonito.

Plutão na 5 possui enorme potência terapêutica porque transforma dor em criação.

Talvez a pergunta seja:

"Como fazer com que essa dor se transforme em compaixão por outras mulheres?"

Isso muda completamente a frequência.

Ela deixa de ser "a mulher marcada pelo aborto".

Passa a ser "a mulher que aprendeu a acolher quem atravessa experiências impossíveis".

Um cuidado importante

Se ela pretende falar publicamente sobre sua história, a convidei a verificar se isso nasce de uma elaboração suficiente ou se ainda é parte do próprio processo de cicatrização.

Um olhar espiritual

Independentemente das diferentes crenças sobre o início da vida ou o significado espiritual do aborto, muitas tradições concordam em um ponto: culpa permanente não é sinônimo de responsabilidade.

A responsabilidade transforma.

A culpa paralisa.

Ela quer ser uma ponte de escuta para pessoas que carregam culpas profundas — relacionadas ao aborto ou a qualquer outra experiência humana difícil.

Nesse sentido, vejo uma imagem muito coerente com Plutão em tensão com Saturno:

"O verdadeiro renascimento não acontece quando o passado desaparece. Acontece quando ele deixa de ser uma prisão e passa a ser uma fonte de sabedoria."

Talvez esse seja um dos ensinamentos mais elevados dessa configuração: descobrir que a mesma força que um dia a mergulhou nas profundezas pode, com o tempo, tornar-se a força que permitirá iluminar o caminho de outras pessoas. Isso não exige negar a dor nem expô-la ao mundo antes da hora; exige que ela seja, primeiro, verdadeiramente transformada dentro dela.

 O Ifá tem jeito de iluminar está situação de alguma maneira? Ou até se existe a possibilidade de essa alma ainda estar querendo encarnar através dela e por isso esta questão ela a esta retomando com essa força> No caso de sim, como seria a pergunta a ser feita

Na tradição de Ifá, especialmente na tradição iorubá e cubana, há espaço para investigar relações entre os vivos, os ancestrais, os Àjogún, os Òrìṣà, o Ori e as forças espirituais que acompanham uma pessoa. Em algumas casas de Ifá também se considera que um espírito pode manter um vínculo com uma família ou uma linhagem até encontrar condições adequadas para nascer. 

Penso que o próprio Ifá oferece uma postura muito sábia: não partir da hipótese; perguntar ao Oráculo.

Em vez de perguntar:

"Aquela alma ainda quer nascer por meio dela?"

que já pressupõe uma narrativa, as perguntas abertas foram:

  • "O que está na raiz espiritual da culpa que Yasmin ainda carrega?"
  • "Qual é o verdadeiro aprendizado que seu Ori precisa realizar diante dessa experiência?"
  • "Existe alguma pendência espiritual relacionada às gestações interrompidas que precise ser compreendida ou harmonizada?"
  • "Há algum ebó, oferenda, oração ou atitude que possa trazer paz para essa questão?"
  • "O desejo de falar publicamente sobre sua história nasce do Ori ou é fruto da dor ainda não elaborada?"
  • "Como ela pode transformar essa experiência em serviço sem aumentar seu sofrimento?"

Essas perguntas permitiram que o próprio Ifá conduza a resposta.

Um aspecto que considero muito belo em Ifá

Em muitas narrativas (itán), quando existe uma pendência, o foco nunca é alimentar a culpa. O foco é restaurar o àṣẹ, o fluxo da vida.

A pergunta final foi:

"O que precisa ser feito para que a vida volte a caminhar?"

Essa perspectiva pode ser profundamente libertadora para Yasmin. Se houver algo a reparar, Ifá aponta caminhos de reparação. Se não houver, também pode ajudá-la a compreender que seu aprendizado agora é outro.

Essa é uma pergunta que desloca o centro da culpa para a responsabilidade presente.

O ensinamento foi o de transformar a dor em consciência. 

Observação:

Quando a pessoa permanece tentando apagar o passado, ela fica presa a ele. Quando descobre como servir à Vida a partir da própria experiência, a energia começa a circular novamente.

Talvez seja esse o verdadeiro movimento de Plutão em diálogo com Saturno: não desfazer a história, mas transformá-la em maturidade, compaixão e responsabilidade.

"Ori de Yazmin, qual é a bênção que deseja nascer desta dor?"

É uma pergunta belíssima porque não pressupõe culpa, castigo, karma ou mérito. Pressupõe apenas que mesmo as experiências mais difíceis podem conter uma semente de sabedoria esperando o momento de germinar.

E, se o Odù indicar que existe algum ato ritual de harmonização, ele próprio mostrará o caminho. Se indicar que o trabalho é essencialmente interior, essa pergunta continuará válida, pois desloca o olhar do que morreu para aquilo que ainda pode nascer.

A consulta seja conduzida com serenidade, discernimento e muito àṣẹ. O Ori dela reconhceu aquilo que precisa ser visto, nem mais, nem menos. A resposta do Oráculo foi, acima de tudo, um caminho de paz.

A tirada de 4 búzios foi 2222 Oyeku, a pergunta foi "O que precisa ser feito para que a vida da Yasmim volte a caminhar?"

Oyeku (2222) é um dos Odù mais silenciosos e mais profundos de todo o sistema. Se Ejiogbe é a manifestação da luz, Oyeku é o ventre do Mistério onde a luz repousa antes de voltar a nascer. Não o vejo, em primeiro lugar, como um "não", mas como um convite a entrar no útero do Invisível.

O fato de ter respondido à pergunta:

"O que precisa ser feito para que a vida da Yasmin volte a caminhar?"

é muito significativo.

A primeira mensagem que foi revelada foi:

"Antes de caminhar para fora, ela precisa descer para dentro."

Ela parece estar buscando movimento (contar para todos, expor-se, tornar pública a história), mas Oyeku responde com recolhimento. Não um recolhimento de repressão, e sim de gestação.

Uma leitura simbólica

Se utilizarmos a arquitetura simbólica que estamos construindo para os 16 Odù, Oyeku representa o momento em que tudo retorna à Matriz.

Quando alguém permanece preso à culpa, existe uma parte da alma que não completou seu luto.

E Oyeku conhece profundamente os ritos de passagem.

Talvez o que ainda não aconteceu não seja o perdão.

Talvez seja o luto.

Essas duas coisas não são iguais.

Muitas pessoas tentam perdoar antes de chorar.

Oyeku costuma inverter essa ordem.

Primeiro a dor encontra um lugar legítimo.

Depois nasce a paz.

Yasmin quer falar. Oyeku responde com silêncio.

Isso não significa "cale-se".

Pode significar:

"Antes que tua voz seja oferecida ao mundo, oferece teu silêncio ao teu Ori."

Que imagem bonita...

É como se o Odù dissesse:

"Ainda existe uma conversa que precisa acontecer entre ti, teu coração e o Invisível."

Depois disso, talvez falar faça sentido.

Antes disso, talvez seja apenas um pedido de socorro.

Oyeku não cura expondo a ferida. Cura devolvendo-a ao ventre do Mistério, onde a morte deixa de ser apenas fim e volta a ser preparação para um novo nascimento.

Isso conversa profundamente com o símbolo do aborto.

Não porque Oyeku esteja dizendo que houve erro ou punição.

Mas porque ele conhece o ciclo completo:

vida → morte → silêncio → transformação → nova vida.

Um último detalhe

"Yazmin já pediu perdão a si mesma?"

Não aos espíritos.

Não a Deus.

Não à sociedade.

A si mesma.

Porque, às vezes, é aí que está o nó.

E Oyeku costuma trabalhar exatamente nesse lugar invisível, onde ninguém mais pode entrar.

O Oráculo está dizendo que, antes de Yasmin ajudar outras mulheres a atravessarem essa dor, ela precisa permitir que seu próprio coração seja novamente gestado pela Mãe do Mistério. Só então sua palavra deixará de buscar absolvição e passará a transmitir presença, compaixão e àṣẹ. Isso, para uma futura terapeuta, pode ser um fundamento muito precioso.

Momento atual da Yasmin

2212

O novo Odù para Yasmin perguntando sobre seu momento atual em geral foi 2122 Oturupon. A pergunta exatamente foi. Qual o momento atual da Yasmin, o que Odù atual convida ela

A primeira pergunta trouxe 2222 – Oyeku:

"O que precisa ser feito para que a vida volte a caminhar?"

Ao perguntar:

"Qual o momento atual da Yazmin? O que o Odù atual a convida?"

surge 2122 – Oturupon.

Na arquitetura simbólica que estamos desenvolvendo, sinto que esses dois Odù não se contradizem; eles se completam de forma extraordinária.

A sequência do processo

Oyeku disse:

"Desce ao ventre do Mistério."

Oturupon responde:

"Agora deixa que a verdade rompa o casulo."

É um movimento muito coerente.

A arquitetura de Oturupon (2122)

O desenho já diz muito.

Começa com uma abertura (2),
surge um ponto de luz (1),
e depois volta a dois fechamentos (22).

É como se algo tentasse nascer dentro de uma estrutura ainda bastante protegida.

Por isso, eu vejo Oturupon como o Odù da verdade que precisa encontrar sua forma correta de emergir.

Não é explosão.

É ruptura consciente.

O convite para Yasmin

"Chegou o tempo de deixar de lutar contra tua história e começar a escutá-la."

Oturupon frequentemente rompe ilusões.

Mas nem toda ilusão é uma mentira.

Às vezes, a maior ilusão é acreditar:

"Meu passado define quem eu sou."

O Odù parece querer quebrar exatamente isso.

A terapeuta está nascendo

Achei muito significativo que ela esteja estudando psicanálise.

Oturupon gosta de descer às camadas ocultas da psique.

Ele pergunta:

"Qual é a verdade escondida por trás da culpa?"

Talvez a culpa esteja protegendo uma dor ainda mais profunda.

Por exemplo:

  • medo de não merecer felicidade;
  • medo de ser rejeitada;
  • medo de ser má;
  • medo de Deus;
  • medo de amar novamente.

A culpa, muitas vezes, é uma armadura.

Oturupon costuma retirar essa armadura.

Sobre falar publicamente

Aqui senti uma nuance muito bonita.

Depois de Oyeku, eu havia sentido que não era hora de falar simplesmente para aliviar a dor.

Agora Oturupon diz:

Sim, a verdade quer nascer.

Mas pergunta:

"Qual verdade?"

Não necessariamente:

"Eu fiz dois abortos."

Talvez a verdadeira mensagem seja:

"Eu descobri que a culpa pode aprisionar uma mulher durante anos."

Percebe a diferença?

A primeira é um fato biográfico.

A segunda é um ensinamento humano.

Oturupon gosta muito mais da segunda.

Oturupon rompe as cascas que já não servem à alma. Ele convida a abandonar as identidades construídas pelo medo para permitir que emerja uma verdade mais profunda, capaz de libertar e transformar.

A sequência dos dois Odù

Achei esta sequência lindíssima.

Oyeku

Desce.

Oturupon

Compreende.

Ainda não vejo um Odù dizendo:

"Vai e anuncia."

Vejo um Odù dizendo:

"Entende profundamente quem te tornaste."

Quando isso acontecer, falar será consequência.

Não necessidade.

Uma percepção que me emocionou

Enquanto lia Oturupon, veio uma imagem muito forte.

Ela não está tentando dar à luz uma criança.

Ela está tentando dar à luz uma nova Yasmim.

Talvez seja esse o verdadeiro parto que o Oráculo está mostrando.

Os abortos interromperam duas gestações biológicas.

Mas agora existe uma gestação espiritual em andamento.

E essa não pode ser interrompida.

Se você acolher o chamado de Oyeku e de Oturupon, poderá nascer uma mulher cuja autoridade não virá da ausência de dor, mas da transformação da dor em consciência.

É justamente esse tipo de presença que costuma tocar profundamente aqueles que buscam um terapeuta: alguém que não fala sobre o sofrimento, mas fala a partir de uma travessia que foi verdadeiramente integrada. Que esse seja o parto simbólico ao qual o Ori dela está sendo convidado. Que assim seja, com àṣẹ.

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